Essa é a história em andamento de nosso herói Tibicus. Siga os links abaixo para ler os episódios anteriores!

1. Chuva 2. Resgate 3. Desespero

Tibicus já estava há vários dias no continente de Zao. Ele deu sorte, pois, poucos Tibianos haviam chegado até os Yielothax, permitindo que Tibicus pudesse vagar pelas cavernas completamente sozinho. Entretanto, havia momentos em que ele preferiria um pouquinho de suporte. Aquelas devastadoras mutações de aranhas mostraram-se adversárias mais fortes do que o imaginado e sua bela armadura já estava muito avariada, com numerosos arranhões e amassados.

O caso não era que Tibicus era incapaz de lutar contra esses monstros sozinho. Entretanto, como ele precisava correr várias escadarias de cima a baixo para poder vender suas preciosas pilhagens para Yasir e voltar ao Portal Dimensional, ele já estava sentindo dores em lugares onde ele não achava possível doer. E, é claro, Yasir, com aquela desculpa preguiçosa para um negociante, tinha que decidir aparecer em Liberty Bay. Como se Tibicus já não estivesse correndo contra o tempo…

Foi apenas quando ele foi emboscado por vários Yielothax, que se jogaram em sua direção para perfurar sua carne com seus dentes afiadíssimos, que Tibicus percebeu que esses monstros não deveriam ser subestimados. Um Yielothax que pegara a mochila de seu ombro agora jazia esfarrapado perto de Tibicus, lentamente encharcando-se em seu sangue. Ele fora extremamente sortudo quando algumas pequenas poções de mana caíram de sua mochila no calor da batalha e rolaram em sua direção. Mesmo que as presas dos Yielothax entrassem mais e mais profundamente em sua carne, Tibicus alcançou as poçãos com o restante de sua força. No limite de sua consciência, ele sorveu o líquido roxo bem a tempo. Outro Yielothax pulou em seu peito, dolorosamente forçando o ar para fora de seus pulmões de modo que ele quase não fora capaz de finalizar seu feitiço: “utevo gran res eq!”

Uma brisa gélida preencheu a caverna de imediato. Skullfrost surgiu de seu gélido reino dos mortos e anunciou sua chegada com um grito apavorante e petrificador. Os gritos gananciosos dos Yielothax foram silenciados e eles voltaram suas atenções para o conjúrio aterrorizante. Tibicus sentiu as mandíbulas afrouxarem. Ele se libertou do doloroso aperto bem a tempo e conseguiu rolar para uma área segura assim que uma grande explosão de gelo fez tremer a caverna e enterrar os Yielothax debaixo de uma onda de neve e gelo.

Ele já havia passado por diversas experiências de quase morte nos últimos dias, mas, os Yielothax estavam drenando seus recursos de mana, por isso não estava sendo mais capaz de invocar Skullfrost até então, especialmente pelo fato de ataques elementais de Morte não surtirem grandes efeitos naquelas criaturas.

De toda a forma, Tibicus não podia reclamar, pois as aranhas super crescidas possuíam uma pilhagem muito boa com elas, e os olhos de Yasir aumentavam mais e mais de tamanho a cada vez que aparecia. Entretanto, o montante de ouro obtido não era suficiente. Ele sabia que era simplesmente irrealista conseguir tanto ouro em tão pouco tempo. Tibicus percebera o quanto sua energia havia sido drenada pela caçada, mas não podia desistir. Aquele chapéu significava muito, com todas as boas memórias que ele associava… Não! Aquele chapéu era importante demais para considerar remotamente não seguir a carta do chantagista.Porém, estava ficando cada vez mais difícil suprimir o sentimento de inevitável fracasso, e quando Tibicus começou a pensar que sua situação já não poderia ficar mais desesperançosa, ele ouviu o som quebrantado de estática vindo da outra entrada da caverna. “Ah, não, alguém está vindo pelo Portal Dimensional!”, ele pensou. “Tinha que ser minha sorte! Se esse cara vier caçar aqui, terei ainda menos ouro.”.Tibicus preparou-se mentalmente para um confronto verbal e, se viesse a ser empurrado, o confrontado físico. Ele recuou estrategicamente para um canto. “Se esse for um dos comparsas de Beefo, eu posso esquecer caçar nesse local”.

Porém, para a sua surpresa, foi uma face familiar que saiu do portal e olhou ao redor, um pouco desorientado. “Fridolin, meu amigo, você está aqui, finalmente! Tentei te contatar a dias! Achei que tivesse desaparecido da face do Tibia! Em nome de Zathroth, onde você esteve?!”. Tibicus perguntou enquanto saía lentamente de seu esconderijo, aproximando-se alegremente de seu velho amigo.

“Oh, Tibicus. É você…”. Fridolin replicou, nada entusiasmado. “Que te traz aqui?”. O Paladino lentamente caminhou pela caverna, olhando ao redor. “Você está aqui sozinho?”.

“Felizmente sim!”. Você não vai acreditar em tudo que está acontecendo! É tão bom ver que você finalmente apareceu. Fridolin, eu preciso de sua ajuda!”. Tibicus seguira o Paladino até as profundezas da caverna.

“Claro que você precisa. Quer saber?”. Fridolin se esquivou e socou o peito de Tibicus. “Está ficando frustrante! Toda vez que você faz besteira, sou eu quem tenho que limpar a bagunça!”. Tibicus pegou o ábaco.”O que há de errado com você? Parece que acordou com o pé esquerdo essa manhã! Escute, alguém roubou meu chapéu – O CHAPÉU – e deixou uma carta de resgate exigindo 400 milhões de peças de ouro para me devolver!”

“Deixe-me adivinhar, Tibicus, você estava fora, bebendo na Taverna de Frodo, quando isso aconteceu, certo?”. O Paladino zombou. “Bem… Sim… Eu acho… Mas, eu…”. Tibicus gaguejou e Fridolin o interrompeu bruscamente. “Por favor, não invente desculpas. Eu já as ouvi todas. 400 milhões de peças de ouro, de forma alguma você conseguirá levantar tal quantia de ouro. O que vai fazer agora?”

Tibicus sabia que seu amigo estava certo. “Para ser honesto, eu não sei… Eu saí perguntando e peguei emprestado um pouco de dinheiro, vendi o máximo de itens que pude, mas o Mercado está lotado no momento. Yasir é minha melhor aposta.”.

“Quanto você conseguiu até agora?”. Fridolin perguntou.

“Cerca de 75 milhões.”.

“Só 75 milhões?! Tibicus, você está falando sério?! Isso não chega nem a um quarto do resgate!”.

“Obrigado por pontuar isso, Capitão Óbvio, eu sei disso também.”. Naquele momento, Tibicus já estava de mau humor também. “Se você tivesse aparecido antes, poderíamos ter caçado em locais mais rentáveis juntos!”.

“Então, é culpa minha você ter bagunçado tudo?”. Fridolin explodiu com ele.

Tibicus perdeu as palavras. “Olha, eu lamento, mas você sabe o quanto aquele chapéu significa para mim. Poderia por favor me ajudar? Você certamente tem algum dinheiro guardado que eu posso pegar emprestado, não tem?”.

“Não, Tibicus, não é assim que vai acontecer. Seu problema, sua responsabilidade. Eu não lhe darei nenhum centavo!”.

Tibicus não reconhecia seu velho amigo. Certamente algo ocorreu para Fridolin ficar tão sangue-frio de repente. Fridolin estava certo, não havia dúvidas disso, mas esperava mais compreensão e ajuda vinda dele. No entanto, ele não poderia gastar mais tempo pensando sobre isso dado que o prazo estava cada vez mais curto.

“Você poderia ao menos se juntar a mim para que possamos cobrir uma área ainda maior dessa caverna?”. Ele tentou dissipar a tensão. Enquanto os dois discutiam, muitos Yielothax haviam saído de seus esconderijos e já estavam perigosamente perto deles. Fridolin apenas assentiu e o massacre de Yielothax começou.

Enquanto Tibicus cobria os corredores íngremes perto do Portal Dimensional, Fridolin decidiu caçar no andar inferior, onde teria um pouco mais de espaço para seus ataques à distância. Estavam progredindo bem e os gritos de morte vindos de baixo faziam parecer que Fridolin estava fazendo um bom trabalho. Motivado pela ajuda inesperada, Tibicus atravessou a caverna como se tivesse ingerido dez poções Berserk de uma só vez. Enquanto aguardava por mais aparições de Yielothax, ele decidiu visitar seu amigo.

Tibicus colocou um anel de invisibilidade e se esgueirou escadaria abaixo, pois queria surpreendê-lo. Não demorou muito e logo encontrou o Paladino ajoelhado perto de uma pilha de Yielothax mortos. Viu que Fridolin já havia preparado algumas bolsas para as pilhagens e decidiu dar uma olhada nelas. Para sua surpresa, as bolsas estavam bem vazias em comparação ao montante de pilhagens que coletara no andar de cima e assim que estava para tirar o anel e revelar-se, viu que Fridolin estava guardando as pilhagens mais preciosas para si.

“O que está acontecendo aqui?”. Ele confrontou o Paladino. Fridolin virou-se, surpreso. “Por que você está escondendo as pilhagens boas? Temos que levar tudo ao Yasir para que eu possa pagar o resgate!”. Tibicus continuou.

“Ótima ideia, eu estou ficando sem capacidade de toda a forma. Hora de fazer uma visita ao Yasir.” Fridolin falou. “Eu preparei algumas bolsas de pilhagem para você; pode vender o que há nelas e eu pegarei a minha parte.”

“Sua parte?! Você tinha que me ajudar! Eu te pedi para caçar comigo para que eu pudesse lucrar mais. Se você levar todos os itens de valor, é melhor que eu continue sozinho!”

“Deixe de ser dramático, Tibicus. Quase não dá para cobrir meus gastos!”. Replicou Fridolin.

“Não minta para mim, Fridolin! Eu vi o que você pegou.”. Tibicus sentiu-se traído.

Na medida em que o Paladino direcionou-se para a saída, não mostrando intenção alguma de entregar o saque, Tibicus bloqueou sua passagem.

“Deixe-me passar!”. Sibilou o Paladino.

“Não. Devolva-me o saque ou você não vai passar.”

O Paladino cerrou os punhos. “Uma última vez, Tibicus. Deixe-me passar, senão… Utevo gran res sac!”

Uma cauda de fogo ardente iluminou a caverna e Emberwing apareceu atrás de Fridolin.

“Você pediu por isso, Tibicus! Agora, afaste-se!”

“Você ficou louco?!”. Tibicus estava pasmo e sem reação. Eles haviam sido amigos por tanto tempo e nem mesmo em seus piores pesadelos ele imaginou que ambos se encontrariam em tal situação. Antes que pudesse pensar em outra coisa, uma bola de fogo gigante fora lançada aos seus pés.

Tibicus foi arremessado contra a parede com tal força que o ar fora expulso de seu corpo. Ele olhou em direção a Fridolin e sentiu a raiva explodir em seu interior. Antes que pudesse pensar a respeito do que ele estava fazendo e o que isso significaria, ele gritou: “Utevo gran res eq!”.

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