Essa é a história em andamento de nosso heroi Tibicus. Siga os links abaixo para ler os episódios anteriores!

  1. Chuva
  2. Resgate
  3. Desespero
  4. Problema
  5. Rivalidade

Uma semana havia passado desde que Tibicus recebera a carta de chantagem; uma semana marcada por dor, violência, desespero e luta. Ele fez o máximo que pôde e, ainda assim, falhou. Tibicus conseguira juntar quase dois milhões em ouro; consideravelmente, mais do que qualquer um esperaria dadas as circunstâncias, mas ainda assim, era menos da metade da soma exigida. Em seu desespero, Tibicus chegou a vender a maior parte de sua coleção muito abaixo do preço de mercado. Entretanto, essa renda extra foi pouco mais que uma gota em meio ao oceano.

A hora havia enfim chegado, e não havia mais nada que ele pudesse fazer. Hoje era o dia e ele teria que lidar com que havia falhado. No entanto, ele não tinha perdido completamente a esperança e foi até o local da entrega com o ouro em mãos.

Talvez ele fosse capaz de negociar com os chantagistas; mesmo que não tivesse sido capaz de levantar a quantia total, dois milhões em ouro ainda era uma grande quantia. Tibicus estava desconfortável em viajar pelas terras perigosas de Tibia com tanto dinheiro em sua mochila, mas ele não tinha outra escolha.

O cavaleiro evitou as estradas principais, preferindo contar com a relativa segurança das matas e, por fazer dessa forma, conseguiu evitar os bandidos de Beefo, que vinham aterrorizando a área ao redor de Thais. Um encontro com eles a essa altura seria a pior das coisas a acontecer com Tibicus.

Levou certo tempo para chegar ao local da troca; os sois já estavam se pondo e uma luz roxa-azulada pacífica envolveu a suave noite de verão.

Os últimos raios de luz estavam desaparecendo atrás do enorme vulcão que dominava o horizonte de Goroma na medida em que Tibicus passava pela ilha de barco, velejando para o local de encontro. Seu destino era Kharos, a ilha onde outrora obteve o maior de seus tesouros. Tesouro esse que tinha a esperança de reaver ali, na Cidadela de Ferumbras.

Suas memórias foram imediatamente acionadas assim que ele inalou o ar gélido e salgado e, subitamente, sua mente foi transportada de volta àquela ocasião. De volta aos dias em que ele era um dos vários cavaleiros idealistas que foram enviados para lutar contra o vil feiticeiro, cujo retorno havia sido predito pelas lendas e oráculos de Tibia.

Guarnecido atrás dos muros de sua cidadela, o feiticeiro tencionava espalhar medo e terror sobre Tibia uma vez mais; apoiado por um exército de demônios sedentos por sangue e outras terríveis perversões, ele forjara planos obscuros de vingança e desforra.

Incontáveis Tibianos corajosos perderam suas vidas naquele dia.

Aquele dia começara com a agonia do orgulho de Tibia. Eles ficaram presos na cidadela, presas fáceis para o fogo expelido pelo Dragon Lord que resultou no derretimento de suas armaduras direto em suas carnes. Os ouvidos de Tibicus foram preenchidos pelos gritos, suas narinas, pelo cheiro acre de metal quente, cabelos queimados e carne queimando.

Muitos de seus camaradas foram cortados em pedaços pelos impiedosos Behemoths ou esmagados pelo peso de seus corpos. Warlocks, protegidos por sua invisibilidade, concentraram seus esforços contra os magos e paladinos, amaldiçoando suas almas à perdição eterna.

Os Demônios enfiaram suas garras afiadas profundamente no peito dos cavaleiros, quebrando suas costelas e arrancando suas tripas.

Das escadarias que levavam aos andares superiores, verdadeiras torrentes de sangue desciam por elas e os corredores foram preenchidos com os gemidos daqueles que não foram sortudos o suficiente para ter morrido de imediato.

Apenas uma fração das várias centenas de Tibianos conseguiram chegar aos aposentos de Ferumbras. A luta foi inesquecível e cruel; no fim, conseguiram. Através do sacrifício daqueles que deram suas vidas naquele dia, foi possível mandar o feiticeiro para o abismo e foi Tibicus que trouxera seu chapéu de volta a Thais como sinal de triunfo.

O cavaleiro voltou à realidade assim quando o casco de seu navio encalhou no litoral pedregoso com um alto som triturante. Fazia muito tempo desde sua última visita àquele lugar. Quando sentiu o chão sólido em seus pés uma vez mais, percebeu o quanto suas pernas tremiam. Ele inspirou longamente outra vez, verificou se o ouro ainda estava em seu lugar e começou a caminhar em direção à sua destinação.

Nesse meio tempo, caíra a noite; apenas os selos mágicos que mantinham a cidadela trancafiada de forma segura emanavam alguma luz. Tibicus leu novamente a carta de extorsão: “Leve o ouro à entrada da Cidadela de Ferumbras, coloque-o no chão a três passos a sul da entrada e o chapéu voltará ao seu legítimo dono.”

O cavaleiro depositou o ouro conforme instrução e esperou. E esperou. E esperou; e nada aconteceu. Não havia sequer uma alma ali.

Quanto mais esperava, mais impaciente se tornava. E se ninguém viesse? E se o chapéu estivesse perdido para sempre? Milhares de pensamentos passaram por sua mente e ele ficou cada vez mais ansioso.

Tinha que manter-se focado! Ele caminhou alguns passos em direção ao oceano, e um pouco de água gelada em seu rosto limpou sua mente.

A lua já estava alta no céu e iluminava a água à sua frente; as ondas geladas do oceano passavam de forma rítmica ao redor de suas pernas, dando-lhe calafrios. Assim que se ajoelhou, seu rosto estava espelhado nas águas. Ao olhar para seu reflexo, percebeu que não estava mais sozinho.

Do alto do zênite da cidadela vinha uma criatura envolta em chamas, olhando para ele e observando seus movimentos; Tibicus girou rapidamente, mas a criatura flamejante já se arremessara no ar e vinha à toda em um mergulho de cabeça.

Antes que Tibicus pudesse fazer algum movimento, a ave aterrizara bruscamente no chão, esticando suas asas antes do impacto e pegando a mochila cheia de ouro com seu bico.

O calor que dela emanava era quase insuportável; tão rápido quanto a criatura pegou sua presa, já estava novamente nos ares e voou ao norte com a mochila.

O cavaleiro permaneceu ali, em choque, em meio à água; boquiaberto, ele tentou compreender a situação. Tibicus deveria saber que não seria uma troca tão simples assim.

Você não simplesmente devolve o Chapéu de Ferumbras. Que tolice da parte dele crer que sua provação teria um final feliz naquela noite.

Porém, a provação de outra pessoa estava prestes a começar; a princípio, Tibicus recusou-se a crer em seus olhos, mas, naquele momento, ele estava cem por cento certo: ele sabia a real identidade do chantagista. A asa da Emberwing entregara sua identidade…

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Comentários
  1. Esse artigo ta virando uma novela estilo TV Globo.
    Fraca demais a história, mas todas elas sempre apelando a um gancho no final.