Essa é a história em andamento de nosso herói Tibicus. Siga os links abaixo para ler os episódios anteriores!

  1. Chuva
  2. Resgate
  3. Desespero
  4. Problema
  5. Rivalidade
  6. Entrega
  7. Acerto de Contas
  8. Reunificação

Após um demorado reabastecimento na loja de Xodet, Tabea, Emilio e Tibicus deixaram sua cidade natal pelo portão leste. Já era fim de tarde e Suon já havia perseguido sua irmã Fafnar pelo espaço. Os últimos raios dos dois sóis transformavam vagarosamente as vinhas dos campos de trigo em um mar carmesim. Palomino estava prestes a colocar seus cavalos nas cocheiras e acenou amigavelmente para os três aventureiros, e o Monte Sternum se erguia sobre os campos nas paisagens ao redor de Thais, lançando longas sombras que anunciavam a escuridão que caía.

Havia um clima estranho entre os três amigos. Apenas não era muito agradável para Tibicus que seus companheiros tivessem que pagar pelos seus suprimentos devido à sua situação financeira, não, estava vendo Tabea recuperando esperanças de que realmente arrancasse suas “heartstrings”. Sua ingênua esperança de que tudo se esclareça e que Fridolin acabe sendo um dos mocinhos, afinal.

Em circunstâncias normais, ele não espancaria os arbustos, mas na situação atual ele achou que o melhor seria ficar quieto. Então ele ficou bastante aliviado quando Emilio quebrou o silêncio e começou a xingar e agorar Beefo e seu povo. Concentrar a raiva em um inimigo comum era a exatamente a coisa certa para encurtar a viagem à Venore.

Perdendo-se em um monte de discursos raivosos explícitos, não demorou para que o cheiro pútrido dos pântanos de Green Claw penetrasse em suas narinas. A água verdade verde e borbulhante encharcava as raízes mofadas de arbustos magricelos e árvores mofadas. Próximo ao caminho pavimentado e estreito, o solo lamacento e o musgo úmido se espalharam até onde a vista alcançava. Apenas a grande ponte de pedra que se erguia ao longo do pântano testemunhou essa área que fora desenvolvida por ambiciosos mercadores.

Tibicus percebeu imediatamente que havia algo de errado. Ele lembrou que a área estava lotada por milhares de mercadores de Kazordoon e Ab’Dendriel. A agitação e alvoroço dos moradores e turistas locais, o ar sendo preenchido por barulhos do mercado e gritos dos mercantes, no momento, a única coisa que ele podia ouvir era o borbulhar das bolhas tóxicas vindas do pântano. Tudo estava quieto. Muito quieto.

“Já faz algum tempo desde a última vez que você esteve aqui, não?” perguntou Tabea, que notou sua expressão facial questionadora.

“Desde que Beefo assumiu, os mercantes se mudaram para outras cidades. Nenhum homem de negócios honrado quer se associar a estes sujeitos duvidosos, quanto mais fazer negócios. Pelo menos não oficialmente.”

Tibicus respondeu com um aceno com a cabeça e fez a Sorcerer entender que essa informação era mais do que suficiente para ele.

Quando eles passaram pelas enormes torres de pedra e entraram na cidade pelo portão oeste, o cheiro de mofo dos pântanos começou a desaparecer lentamente e, em vez disso, nuvens negras de fumaça e o cheiro penetrante de madeira queimada e metal começaram a permear o ar.

“O que aconteceu aqui?” perguntou Tabea. “Metade da cidade aparenta estar em chamas!”

“Eu não sei. Talvez os incendiários tenham feito uma visita a Pyro Peter, afinal?” Emilio fez uma cara de paisagem. Ignorando o comentário desnecessário, Tibicus disse “Eu acho que podemos ir mais a fundo, a origem do fogo parece vir do leste. Tenho certeza que Beefo é o responsável. Pegue essas roupas e cubram seus rostos, não é muito, mas é melhor do que nada.”

Com a sua proteção respiratória bastante fraca, avançaram para o centro da cidade. Entretanto, a cada passo, a fumaça preta se tornava mais e mais forte e logo começou a infestar seus pulmões. Quanto mais eles caminhavam pelas ruas desertas, pior ficava.

A fumaça condensada trouxe lágrimas aos seus olhos, mas Tibicus sabia apenas um destino:

Valorous Venore.

Tabea e Emilio foram mantidos como reféns nessa casa. Ali estava o esconderijo de Beefo e seus comparsas. Se eles procuram respostas, esse seria o lugar para encontrá-las.

Embora a fuligem em seus pulmões deixasse a respiração muito difícil, Tibicus pisou firme nas paredes de fumaça preta. O impulso de vingança e a esperança de recuperar seu amado chapéu o empurraram pra frente.

Quanto mais eles chegavam perto do abrigo, mais eles percebiam que a origem do fogo era daquele lugar. Do portão oeste, eles começaram a leste e quando as vigas bloquearam o caminho para o portão sul, viraram para o norte na direção a Lucky Lane. Depois de chegarem ao cruzamento da Lucky Lane com a Salvation Street, à direita do armazém Hugo’s Dress for Success para voltar ao guildhall, eles foram presenteados com uma imagem de terror.

Uma enorme bola de fogo deve ter explodido na rua. As paredes das casas estavam cobertas com uma camada de fuligem e cinzas enquanto a superfície das ruas estava pintada de carvão.

Os caixões de madeira que Ashtamor normalmente exibia na rua estavam carbonizados e queimados até as cinzas e vigas, uma vez pesadas e volumosas, estavam brilhando e gradualmente se dissolvendo em um fino pó cinza. O calor que irradiava das paredes de pedra ao redor era dificilmente suportável e os cadáveres queimavam irreconhecivelmente, pavimentando o chão.

Quanto mais adiante na rua eles caminhavam em direção ao guildhall, mais altos ficavam os dolorosos gemidos e grunhidos daqueles que tinham sobrevivido ao fogo e estavam agora imobilizados nas valas com queimaduras graves.

Tibicus lembrou de alguns de seus rostos, eles eram capangas de Beefo.

Embora fossem desagradáveis inimigos, Emilio sentiu-se obrigado a ajudar os feridos. Fazendo o seu melhor, ele acalmou o sofrimento com pequenos feitiços de cura. O suficiente para aliviar a dor, mas não o bastante para curá-los por completo.

Como um knight, Tibicus tinha pouca compreensão para tal comportamento, mas depois de intermináveis discussões ele desistiu de questionar essa síndrome de fazer o bem dos druidas. Enquanto esses guerreiros permanecessem impossibilitados de se mover e atacar, ele não poderia se importar menos.

Ele estava bastante interessado na entrada do guildhall. A bola de fogo já devia ter perdido a maior parte do seu poder quando atingiu a parede da casa, mas fora forte o suficiente para queimar a fachada do salão pretensioso. Na frente do guildhall havia uma pilha de carne parada imóvel no chão. Com um olhar de desprezo, Tibicus se inclinou lentamente sobre o homem inconsciente.

“Oh Beefo, bom te ver”, ele começou a zombar, mas quando viu o rosto do homem, recuou.

Nenhum osso foi deixado em seu lugar original. Lábios estourados cobriam os poucos dentes que restavam em sua boca enquanto o resto se espalhava pelo chão. Mechas grossas de cabelo presas em feridas profundas e pulsantes e os traços faciais não eram nada além de uma polpa verde e azul.

Esta foi a visão quando Tibicus teve que reprimir uma vontade de vomitar. Questionando, ele se virou e olhou para seus companheiros, que também estavam enojados.

Emilio ficou tonto e miserável, segurando as mãos na frente da boca para evitar o pior, cambaleou tão rápido quanto podia para a próxima esquina para dizer adeus aos conteúdos do seu estômago. Quando Tabea quis segui-lo, reconheceu uma coisa brilhante que havia sido escondida sob a grossa camada de cinzas e foi revelada pelos passos rápidos do druida.

“Tibicus, eu acho que sei quem está por trás disso” ela disse com uma voz estranha. Em sua mão, uma pena dourada.

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